09 Dezembro 2011

Por aqui

Os ventos sopram
E todos vamos na mesma direção
Vamos acertar as velas
Juntos para um mesmo lugar

O caminho está ali
Mas não quero ir
ME deixa ficar por aqui
você não entende

Os ventos sopram
E me levam pelo caminho
Que não quero seguir
Me deixa ficar por aqui

18 Outubro 2011

Não há nada

Notas soltas
Na pauta, no post-it
A sala está vazia, poeirenta
Onde você está?
"Tá" chovendo forte lá fora
E onde você está?
Para de brincar e volta logo

Acordes tristes
Na melodia, nos versos
Acorde triste
Mas acorde de novo.
"Tá" frio aqui
E onde você está?
Para de brincar e volta logo

Para.
Volta.

13 Outubro 2011

Conversa Comum

- Não esquenta, isso não é nada.
- Claro que é!
- Não é, não!
- Por que não é com você
- Tem sempre que falar assim?
- Talvez. Mas você acha que tudo é simples.
- Não acho, mas tempestade em copo dágua não adianta.
- Pode ser.
- Relaxa. Lá na frente você vai rir disso tudo.
- Espero que sim...

02 Setembro 2011

Mundo novo


Eu quero um mundo novo
Onde deitado no sofá
Recostado no seu colo eu cochilo
Embalado pelos seus dedos em meus cabelos

Eu quero um mundo que gire devagar
Pro ponteiro das horas nunca correr
E o domingo não acabar
O som desagradável do despertador não vai mais incomodar

Eu quero um mundo menor
Pra minha casa ser a sua casa
E sempre voltar pra casa
Que nós vamos finalmente chamar de nossa

Eu quero o mundo que é seu
Pra poder chamá-lo de nosso

E ele vai rodar por ai
Azul ou verde
Você vai escolher
Mas quero o mundo que é seu

Pra poder chamá-lo de nosso

02 Agosto 2011

Nuvens no chão

O toque quente de suas mãos
Contrastam com o frio que castiga minha pele
Minha mente vagueia por melodias tristes
Vejo nuvens pesadas no chão
Olhos vermelhos que me encaram
Detrás do véu negro de seus cabelos
Fumaça de motores se misturam ao seu perfume
Lembrando o cinza da cidade
Agarro sua mão
Antes de me jogar
Nas nuvens no chão

20 Junho 2011

O voo já vai partir

Me deixe te olhar mais uma vez
O voo já vai partir
E quero gravar bem o sorriso
Que tanto gosto
Deixa eu te tirar pra mais uma dança
Desajeitada e engraçada
E que só funciona com nós dois
Como eu gosto!
Vamos rir sem motivo deitados na cama
E então vou ouvir
O som da gargalhada mais gostosa
E cada minuto vou gravando
Seu retrato já está na mala
Porque o voo já vai partir
Mas não quero correr
Me deixa ficar mais um minuto
E sentir seu perfume único
E mais um pouco do seu abraço
O voo já vai partir
E vou com ele
Deixando meu coração

23 Maio 2011

Linhas Tortas

Escrevo por linhas tortas
O que queria escrever certo
Mas não posso decerto
Pois a imperfeição das linhas
Traçadas num papel de pão
Refletem tão somente
Um pouco da minha imperfeição

04 Abril 2011

Ilha


Acordei com a parada brusca do ônibus. Olhei para os lados, um pouco desnorteado. Vi pela janela que estava chovendo, poucas pessoas na rua.
Saltei do ônibus e troquei algumas cordialidades com o motorista. Fui andando. Já era tarde, mas a rodoviária está lotada, apinhada de gente. Vários ônibus interestaduais estavam partindo para o interior de Minas e Rio de Janeiro. Mães com os rostos inchados abraçavam seus filhos e casais de namorados trocavam os últimos beijos.
Passei por tudo isso indiferente ao que acontecia ao meu redor. Rumei para o ponto de ônibus, não sem antes dispensar alguns trocados de esmola para que os craqueiros da ilha do príncipe não me enchessem a paciência.
É uma dinâmica interessante essa a dos craqueiros. Estão sempre por ali, pedindo algumas moedas. Não chegam a fazer mal, mas incomodam. Contam histórias diversas. Algumas podem ser verdade, outras não. Difícil saber.
Ficam cercando, pedindo, conversando, confessam que querem as moedas pra mais uma pedra. Outros dizem que é pra comida. E vem e vão enquanto você diz não. Quando aquele pedaço redondo de aço inox ou a liga metálica que seja deixa sua carteira e passa para as mãos de um craqueiro, imediatamente todos deixam de te pedir moedas.
Não sei como funciona, mas esse pensamento tomou minha mente até o ônibus chegar, o que demorou um tempo considerável.
Subi para o ônibus, paguei a passagem com mais algumas moedas e passei a roleta. O pensamento sobre os craqueiros me abandonou assim que entrei no 124, Estrelinha x Jardim da Penha. Passou tão logo estávamos na Vila Rubim.
O carro estava vazio, exceto pelo obvio que deve compor a composição: Motorista e trocador (ou cobrador, como é dito em alguns lugares) e avançava velozmente pelas ruas vazias do centro da cidade.
Passei em frente aos galpões do porto de vitória e na sua calçada alta, onde antigamente paravam locomotivas que descarregavam as mercadorias no porto e se enchiam de outras, vindas de distantes regiões e que hoje servem de dormitório para moradores de rua.
O ônibus parou então no ponto defronte ao Palácio Anchieta, no alto, amarelo ovo, com sua escadaria imponente. E em baixo o centro da cidade recortado de obras com colagens de diferentes rostos sem lar. Quase madrugada, avança às onze da noite e o centro da cidade parece uma cidade fantasma.
Entrou um senhor, barba por fazer, chinelo de dedo e se sentou perto do trocador. Estava bêbado, segurando uma latinha de Brahma.
O coletivo partiu. Ainda passei pelas costas da praça Costa Pereira, Praça Oito. O trajeto da linha não me permitiu admirar o Penedo por mais que alguns instantes. Logo subíamos a curva do Saldanha. Recordei-me de uma reportagem que dizia que a curva tinha sido construída errada. Contrariava as leis da engenharia e da física. Mas estava ali. Grande coisa. Passamos pelo Forte São João e seguimos pela Avenida Vitória, ônibus pulando sem parar, buracos e mais buracos. Amaldiçoei a administração da cidade, do estado e a CESAN. Chegamos então a curva onde de um lado podia ver a Fábrica 747, uma promessa eterna de “Fábrica do Trabalho”, o cruzamento com a Avenida Maruípe, a pracinha e o IFES, antigo Cefetes e mais antigo Etefes. Lembrei com um sorriso das aulas que não vi quando estudei ali. Se fosse dia, conseguiria avistar a Pedra dos Olhos e alguns barracos que ficavam por perto.  O ônibus continuou e parou próximo a Faesa. O Senhor desceu cambaleante. O motorista e o trocador conversavam e riam. Não me interessei. Estava absorto nas minhas reflexões acerca da cidade, enquanto chegávamos na César Hilal, Largo das compras, entrada de Bento Ferreira. Um paradoxo interessante, eu pensei. De um lado um bairro próspero. Do outro, mais uma favela. Por ali um punhado de bairros que me perdia ao tentar nomear. Já havia passado, com certeza, pelas entradas do Romão e do Cruzamento. Jaburu e Gurigica ficavam perto. Na Avenida Leitão da Silva.
Alguns amigos brincavam, diziam que em Vitória porco tinha sobrenome. Mas não era esse meu trajeto. Passei rápido pela César Hilal, Sedu, Praia Tênis. Finalmente Reta da Penha, Boulevart.
De um lado Praia do Canto, badalada, bairro nobre! Do outro Santa Lúcia, glamoroso em outra época. Ninguém nos pontos. Passava de onze e trinta. Algum mendigo dormia no ponto e não era acordado pelo estrépito do ônibus que corria pelos buracos da principal avenida da cidade.
Quase não percebi que já estávamos próximos da ponte da Passagem. Onde estava com minha cabeça que não tinha visto passar o Tiffany, Epa, Banestes e Bradesco e a entrada pra Avenida Rio Branco? Não notei nem mesmo a obra faraônica da Petrobras ou o Carrefour. Já estávamos na altura da Emescam, Wal Mart e o Templo da Universal, enorme logo a frente, contrastando com o miúdo Teatro e Estúdio Galpão, do outro lado da avenida. A religião é o circo do século XXI, pensei com meus botões. Ou poderia ser o pão. Alguns dizem que é alimento pra alma. Não acho que seja. Acredito mais em circo. Até a mágica do ilusionista me parece mais real que a pregação que usa laser e fumaça para ludibriar inocentes em busca de conforto espiritual. Preferi deixar esse embate teológico-filosófico-ideologico de lado pra observar a ponte que se erguia na minha frente. Alguns anos para ficar pronta, atrasos na obra e com certeza um superfaturamento. Mas ela até que ficou bonita.
Subimos a ponte estaiada. Ora, se São Paulo e Natal tinham uma, por que não poderíamos ter também?  Na descida já era possível ver o Campus da UFES de um lado, Jardim da Penha do outro, Fernando Ferrari à frente. Ainda chovia e me surpreendi ao perceber que não havíamos passado por nenhum ponto de alagamento. Talvez por que a ponte que atravessei não foi a Terceira... sei lá. Melhor não entrar no mérito dessa questão.
Minha viagem estava chegando ao final. Viramos da Alziro Zarur, vi a rua da lama. Uns poucos gatos pingados começavam a ir embora na chuva. Cochicho fechado, Birita e Abertura fechando. Dei sinal, cumprimentei o trocador, abri meu guarda-chuva e andei alguns metros até meu prédio.

18 Março 2011

A estrela que brilha mais

A estrela que brilha mais é testemunha
E a lua, em todo seu poder foi quem consagrou.
O sorriso mais bonito disse sim,
acompanhado do olhar mais que encantador.
E no baile dos astros eu te vi
Com seu jeitinho me encantei
A estrela que mais brilha é a prova
Assim como os aliens que vem e vão
De que eu disse algumas poucas palavras
Mas essas é que pra sempre valerão
Quais foram, você me pergunta
Porque isso é sempre bom ouvir
E tão simples de dizer
Quando olho para você

Eu Te Amo

10 Março 2011

Último ato

E de repente as luzes se apagam. Os espectadores olham atordoados para o palco escuro: onde está o ato final?

Permanecem sentados, esperando que alguma coisa aconteça.

O tempo passa.

Então, alguém mais no fundo se levanta e vai embora. É seguido aos poucos, um por um, por outros espectadores que estavam menos atentos a peça.

Os que ficam miram o palco ainda escuro.

Nas fileiras mais próximas, alguns se dão conta de que o espetáculo acabou. Levantam-se em silêncio e partem sem incomodar os que permanecem.

O tempo parece ser demais.

Restam poucos agora e eles se sentem inquietos, um pouco assustados.

Olham do palco para o relógio: o próximo ato está demorando demais.

E num misto de tristeza e inconformismo, o primeiro do que restaram sai. Olha uma ultima vez para o palco, cortinas cerradas.

E então só Um.

Lágrimas nos olhos, o programa em uma mão e flores na outra.

Mas ainda é cedo.

Com a vista turva ele olha para o palco. Sabe que o show não vai continuar. Soube quando as luzes se apagaram.

Mas ficar sentado ali mais um pouco faz parecer que não acabou.

Ele olha o relógio. É tarde. Joga as flores no palco e sai, caminhando lentamente.